O Planalto passou as últimas 48 horas soprando fósforos riscados por Arthur Lira (PP-AL), diz Josias de Souza em seu artigo no UOL. Mas, ainda conforme o colunista, o pavio que pode produzir a próxima explosão dentro dos cofres que Fernando Haddad já não consegue controlar foi aceso não pelo imperador da Câmara, mas pelo chefe do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG).
Nesta última quarta-feira (17), realizaram-se duas articulações. Em um momento, o presidente Lula da Silva (PT) telefonou da Colômbia para ordenar ao chefe da Casa Civil Rui Costa que fosse apaziguar Lira na residência oficial da Câmara. Noutra, Pacheco obteve a aprovação da sua PEC do quinquênio na Comissão de Constituição e Justiça do Senado.
A emenda constitucional de Pacheco, agora pronta para ser levada ao plenário, ressuscita mamata extinta há quase 17 anos. Prevê reajuste salarial automático de 5% a cada cinco anos para juízes e procuradores. A coisa escoará como cascata, umedecendo as folhas das demais categorias vinculadas ao Judiciário.
O Ministério da Fazenda estima que o artefato produzirá buracos anuais de R$ 42 bilhões no Tesouro. Antes de levar o escárnio a voto, Pacheco deveria reunir um grupo de senadores para defender a moralidade de sua PEC no epicentro das passeatas que professores de universidades federais realizam na Esplanada para pedir o descongelamento dos seus contracheques.