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quarta-feira 3 de agosto de 2022 às 13:44h

Pressões da China sobre Taiwan seguiriam adiante mesmo sem a visita de Nancy Pelosi

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Ainda que Nancy Pelosi tivesse excluído Taiwan de seu roteiro pela Ásia, as pressões da China sobre o território que reivindica como seu teriam se intensificado, assim como as tensões com os EUA.

Desde que o independentista Partido Democrático Progressista retornou ao comando da ilha, em 2016, e conquistou, quatro anos depois, o segundo mandato, o projeto da superpotência continental para uma reunificação pacífica ficou inviável.

A presidente da Câmara dos Representantes dos EUA elogiou os progressos feitos pela primeira presidente mulher de Taiwan, Tsai Ing-wen, para criar uma democracia florescente e ouviu dela que fará o que for preciso para manter a paz e a estabilidade na ilha.

Esse desafio tornou-se maior, mas não tanto por causa da visita inoportuna de Pelosi. A parada estratégica em Taipé da segunda política na linha de sucessão da presidência americana apenas acirrou um desequilíbrio que já vinha registrando tremores no tripé China-Taiwan-EUA.

A primeira consequência são os exercícios militares, que começam nesta quinta-feira, na costa da pequena nação insular a 180 quilômetros da China e equivalem a um bloqueio naval e aéreo. O Estreito de Taiwan é rota de navegação importante para navios que transportam mercadorias entre a Ásia e o Ocidente.

A segunda repercussão implica em sanções do continente à importação de frutas e peixes da ilha, na prática, ainda consideradas irrisórias no comércio bilateral. A escalada na suspensão da cadeia de suprimentos tomará grandes proporções se o fornecimento de chips semicondutores de Taiwan – do qual é líder mundial – for afetado, o que, na opinião de analistas, é ameaçador, mas ainda não se vislumbra.

As relações da China com os EUA vêm sendo alimentadas por tensões de ambos os lados. Sob o comando de Trump, o governo reformulou a política de “Uma China”, mas também da chamada ambiguidade estratégica, e priorizou seus compromissos com Taiwan.

Biden vem na mesma linha. Em maio, quando a Rússia já tinha instalado seu palco de guerra na Ucrânia e analistas vislumbravam um destino semelhante para Taiwan, o presidente americano chegou a dizer que os EUA interviriam militarmente em favor da ilha, caso fosse atacada pela China. A Casa Branca se viu obrigada a recuar.

Pelosi foi advertida, em uma ameaça direta de Xi Jinping a Biden, de que quem brinca com fogo pode se queimar. Mas achou que retirar Taiwan de seu roteiro significaria ceder à China, com quem mantém uma relação de confronto há três décadas no combate às atrocidades cometidas pelo regime.

Em Taipé, onde ela fez uma visita simbólica ao museu de direitos humanos, reafirmou o apoio dos EUA, usando palavras que poderiam ser confundidas com as de Biden. “Hoje o mundo enfrenta uma escolha entre democracia e autocracia. A determinação dos Estados Unidos de preservar a democracia aqui e em todo o mundo permanece inabalável”.

O governo chinês se vale da visita de Pelosi como pretexto para acirrar os ânimos e disseminar o discurso bélico e nacionalista. Mas Nancy Pelosi tem longa trajetória política e sabe que a oposição à China é um dos poucos assuntos que unem democratas e republicanos.

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