domingo 16 de janeiro de 2022
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sexta-feira 14 de janeiro de 2022 às 07:54h

Políticos do RJ se unem contra governo federal em concessão de aeroporto

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A concessão do aeroporto Santos Dumont à iniciativa privada, celebrada como vitória pelo governo Bolsonaro, contrariou políticos de várias correntes do Rio. Por considerarem que o modelo de outorga do jeito que está formatado vai esvaziar o aeroporto Tom Jobim, representantes de diferentes poderes e partidos se manifestaram contra a transação. O movimento começou com o presidente da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), André Ceciliano (PT), e com o prefeito Eduardo Paes (PSD). Recebeu nos últimos dias a adesão de um aliado de Jair Bolsonaro, o governador Claudio Castro (PL).

Há vários pontos considerados prejudiciais. Um deles é que, para aumentar o valor da outorga, o Ministério da Infraestrutura transfere para o Santos Dumont parte dos voos do Galeão, o que esvazia bastante o terminal internacional. Os críticos do modelo de concessão reclamam do prejuízo que isso representa. O cálculo é que 17 mil empregos ligados ao funcionamento do Galeão estão em risco.

Claudio Castro esteve em Brasília na quarta-feira (12) para conversar com o presidente Jair Bolsonaro sobre o assunto. Ontem, Bolsonaro anunciou a criação de um grupo de trabalho que terá prazo de um mês para revisar o modelo de concessão e propor possíveis mudanças. A posição do presidente, porém, é dúbia.

“Há bom interesse nosso em atender o Rio e atender o usuário, ao qual nós devemos lealdade”, disse Bolsonaro.

Filho 01 do presidente, o senador Flávio Bolsonaro (sem partido) defende que não haja mudança no modelo de outorga.

O presidente da Alerj faz críticas duras à concessão. “Parem de prejudicar o estado do Rio”, disse André Ceciliano à coluna, referindo-se ao governo federal. “Não tem nada que o governo esteja fazendo de investimento aqui e o pouco que tem ainda está tirando.” O deputado aprovou projeto legislativo que cancela a licitação ambiental do Santos Dumont.

A reação mais inflamada foi do prefeito do Rio, Eduardo Paes (PSD), que em uma postagem feita na semana passada levantou dúvidas sobre a lisura da licitação que prevê a concessão do aeroporto carioca junto com três terminais de Minas Gerais. “Parece licitação dirigida”, tuitou.

Causou mais irritação a nota de resposta do ministério, segundo a qual a “diminuição do fluxo de passageiros no Aeroporto Internacional do Galeão, apontada como motivo por autoridades locais na tentativa de inviabilizar a concessão do SDU, deve ser revertida com medidas administrativas do concessionário e com políticas públicas municipais e estaduais de mobilidade e segurança pública”.

Mesmo sendo companheiro de partido e aliado de Bolsonaro, o governador fluminense já anunciou que se as negociações políticas não forem suficientes, vai judicializar o assunto.

A Federação de Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan), Clube dos Diretores Lojistas (CDL) e Associação Comercial apoiam a mobilização dos políticos para evitar que o Galeão seja inviabilizado.

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