
O governo do presidente Lula da Silva avalia que a ida do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para os Estados Unidos, acompanhado da família, não deve comprometer as negociações para reduzir as tarifas impostas por Washington a produtos brasileiros. Segundo informações da revista Exame nesta quinta-feira (29), negociadores brasileiros apostam em uma condução pragmática das tratativas comerciais, apesar da proximidade entre integrantes do governo americano e a família Bolsonaro.
A avaliação no Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) é que o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), liderado por Jamieson Greer, deve priorizar os interesses econômicos americanos e a possibilidade de um entendimento com o Brasil. Essa postura contrasta com a de setores do Departamento de Estado dos EUA, que mantêm interlocução com a família do senador.
A expectativa dos negociadores brasileiros é receber, nos próximos dias, um documento do USTR com as bases e as exigências dos Estados Unidos para a negociação de um possível acordo comercial. A proposta deverá contemplar questões tarifárias e não tarifárias, abrindo caminho para discussões sobre a redução das barreiras impostas aos produtos brasileiros.
O governo Lula considera que o encerramento do processo eleitoral pode contribuir para diminuir a influência das disputas políticas sobre as conversas comerciais. A avaliação é que Washington precisará manter uma relação institucional com o governo brasileiro, independentemente dos alinhamentos políticos de integrantes da administração americana.
A posição oficial do governo brasileiro é manter o diálogo com os Estados Unidos, mas sem aceitar concessões consideradas prejudiciais aos interesses nacionais. Entre os pontos sensíveis está o sistema de pagamentos Pix, além da resistência a uma abertura ampla de setores da economia sem contrapartidas comerciais.
As negociações foram retomadas após uma conversa telefônica entre Lula e o presidente americano Donald Trump, em 21 de agosto. Dez dias depois, representantes dos dois governos realizaram uma reunião virtual para discutir as tarifas e buscar alternativas para os impasses comerciais.
Em 30 de setembro, os ministros brasileiros Mauro Vieira, das Relações Exteriores, e Márcio Elias Rosa, do MDIC, reuniram-se presencialmente com Greer, em Milwaukee, nos Estados Unidos, durante um encontro ministerial do G20. Na ocasião, os governos concordaram em criar um grupo de trabalho para discutir os temas comerciais e avançar na busca de um entendimento.
O governo brasileiro defende um acordo equilibrado e mutuamente benéfico, mas contesta as medidas tarifárias americanas, que considera unilaterais e incompatíveis com as regras multilaterais de comércio.
O avanço das tratativas dependerá agora da proposta formal dos Estados Unidos e da disposição dos dois países para chegar a um entendimento que reduza os obstáculos ao comércio bilateral.
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