
A indústria automobilística europeia enfrenta uma nova fase de transformação com o avanço das montadoras chinesas. Além de ampliar a venda de veículos elétricos e híbridos, as empresas da China buscam produzir dentro da Europa, estabelecer parcerias com fabricantes tradicionais e construir cadeias locais de fornecedores.
A França está no centro desse movimento. Durante o Salão do Automóvel de Paris, a vice-presidente da BYD, Stella Li, confirmou que a empresa estuda a instalação de uma fábrica no país. Ainda não há anúncio oficial sobre localização, investimento ou prazo para o início da produção, mas a iniciativa reforça a estratégia da fabricante de ampliar sua presença no mercado europeu.
A produção local pode ajudar a BYD a reduzir custos logísticos, aproximar-se dos consumidores europeus e enfrentar as barreiras comerciais impostas pela União Europeia aos veículos importados da China.
A empresa está sujeita a uma tarifa adicional de 17% sobre seus veículos elétricos fabricados na China, além da tarifa regular de importação de 10%. A instalação de uma unidade industrial europeia também permitiria desenvolver fornecedores locais e criar empregos.
Segundo a Reuters, a presença chinesa no Salão de Paris de 2026 dobrou em relação à edição de 2024, evidenciando a intensificação da disputa por espaço no setor automotivo europeu.
Geely já tem parceria estratégica com a Renault
O avanço chinês não depende apenas de novos projetos. A Geely já mantém uma sociedade com a Renault na Horse Powertrain, empresa especializada em motores a combustão, sistemas híbridos e transmissões.
A Renault e a Geely detêm, cada uma, 45% da companhia, enquanto a petrolífera saudita Aramco possui os 10% restantes. A entrada da Aramco, concluída em dezembro de 2024, avaliou a empresa em 7,4 bilhões de euros.
O acordo permite compartilhar investimentos em engenharia e desenvolvimento de tecnologias, reduzindo custos e ampliando a capacidade de competir em um mercado que passa por uma transição gradual para a eletrificação.
Outra frente de expansão envolve a Dongfeng e a Stellantis, grupo que reúne marcas como Peugeot, Citroën, Fiat e Jeep. Em maio de 2026, as empresas anunciaram a intenção de criar uma joint venture na Europa para atuar em distribuição, fabricação, compras e engenharia.
O plano prevê a possibilidade de produzir veículos de novas energias da Dongfeng na fábrica da Stellantis em Rennes, na França. A iniciativa integra uma estratégia de localização da produção para atender às exigências europeias. A produção local dos modelos chineses, entretanto, depende da concretização dos acordos previstos.
No Brasil, a Stellantis também vem ampliando sua aproximação com fabricantes chinesas, incluindo a Leapmotor, que tem planos de expansão com apoio da estrutura industrial do grupo no país.
A atuação chinesa também alcança a cadeia de baterias. A AESC, ligada ao grupo Envision, implantou uma unidade industrial em Douai, no norte da França, para fornecer baterias destinadas a veículos elétricos.
O projeto prevê investimentos de até 2 bilhões de euros e a possibilidade de chegar a 2.500 empregos até 2030, segundo informações divulgadas sobre a iniciativa.
A combinação de fábricas, parcerias tecnológicas e produção de componentes mostra que a estratégia chinesa vai além da exportação de automóveis. Ao ampliar sua presença dentro da Europa, as empresas buscam consolidar fornecedores, compartilhar custos e disputar espaço com fabricantes que construíram suas marcas ao longo de décadas.
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