
A disputa entre Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) entra na reta final com um desafio decisivo: reduzir a abstenção no segundo turno, marcado para 25 de outubro. Levantamento publicado pelo Estadão aponta que, historicamente, o índice de eleitores ausentes aumenta nos estados onde a eleição para governador já foi definida na primeira rodada.
Em 2026, 20 estados elegeram seus governadores no primeiro turno, recorde neste século. O número pode chegar a 21 caso a situação eleitoral no Rio de Janeiro seja definida com a confirmação de Douglas Ruas. Entre os estados que encerraram a disputa estadual estão São Paulo, Minas Gerais e oito dos nove estados do Nordeste.
O desafio é ampliado pelo comparecimento registrado em 4 de outubro. Segundo os dados da apuração, aproximadamente 33,5 milhões de eleitores não votaram, o equivalente a 21,08% do eleitorado. No primeiro turno presidencial, Flávio recebeu 47,03% dos votos válidos, enquanto Lula alcançou 45,16%, uma diferença de 1,87 ponto percentual.
De acordo com o levantamento do Estadão, desde 2002 a abstenção média nos estados que já haviam escolhido governador passou de 19,1% no primeiro turno para 22,4% no segundo. O fim da disputa estadual pode reduzir o empenho de prefeitos, deputados e lideranças locais, que deixam de ter uma eleição própria para mobilizar suas bases.
Por outro lado, governadores eleitos ganham liberdade para concentrar esforços na corrida presidencial e direcionar suas redes políticas ao candidato que apoiam. Por isso, as duas campanhas tentam transformar as lideranças estaduais em agentes de mobilização até o dia da votação.
A campanha petista busca ampliar a votação do presidente no Nordeste e convencer eleitores que não compareceram às urnas a participar do segundo turno. Governadores aliados, prefeitos e lideranças municipais são considerados peças importantes nessa estratégia, especialmente nos estados onde Lula já obteve votação expressiva.
O cientista político Antonio Lavareda, ouvido pelo Estadão, avalia que a abstenção pode ter prejudicado proporcionalmente mais o eleitorado potencial de Lula, sobretudo entre os segmentos de menor renda. A mobilização desses eleitores é apontada como um dos fatores que podem influenciar o resultado final.
Do outro lado, Flávio busca aproveitar o apoio de governadores e lideranças que já garantiram seus mandatos. São Paulo e Minas Gerais estão no centro dessa estratégia por concentrarem grandes eleitorados e terem definido a disputa estadual no primeiro turno.
Em São Paulo, o governador reeleito Tarcísio de Freitas (Republicanos) pode contribuir para ampliar a mobilização em favor do senador. Em Minas, a campanha também aposta na atuação do governador eleito Cleitinho (Republicanos) e de lideranças políticas alinhadas à direita.
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