
O estrategista de marketing político Igor Paulin, que atua em campanhas eleitorais, avalia que o presidente Lula (PT) perdeu parte da capacidade de influenciar disputas políticas no Nordeste. Em declaração sobre o cenário eleitoral, ele afirmou que o discurso presidencial não estaria conectado às principais preocupações dos eleitores.
“Enquanto o presidente falava de terras raras e soberania, o eleitor queria saber da picanha que ele prometeu e não chegou”, disse Paulin, em referência à promessa feita por Lula durante a campanha presidencial de 2022.
Na avaliação do estrategista, temas ligados à soberania nacional e à política internacional nem sempre correspondem às preocupações imediatas da população, como custo de vida, alimentação e renda. A percepção ajuda a explicar, segundo ele, por que o apoio de Lula não garante automaticamente a vitória de aliados nas disputas estaduais.
Paulin também aponta os cenários de Pernambuco e Alagoas como exemplos das mudanças nas articulações políticas do Nordeste. Em Pernambuco, a governadora Raquel Lyra (PSD) e o prefeito do Recife, João Campos (PSB), representam grupos com projetos distintos e capacidade própria de mobilização.
Em Alagoas, o prefeito de Maceió, JHC (PSDB), e o ministro dos Transportes, Renan Filho (MDB), também integram um cenário de disputa política marcado por alianças locais e interesses eleitorais.
O estrategista ainda vê Raquel Lyra como um nome que pode ganhar projeção nacional nos próximos anos. A avaliação considera o espaço político conquistado pela governadora e a possibilidade de ampliar sua influência para além de Pernambuco.
As declarações reforçam o debate sobre os limites da força eleitoral de Lula no Nordeste, região historicamente importante para o desempenho do presidente nas urnas. A influência do governo federal, porém, varia conforme o estado, as alianças partidárias e a avaliação dos eleitores sobre a administração local.
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