
Gilberto Carvalho, aliado histórico e um dos principais coordenadores da campanha do presidente Lula da Silva (PT) à reeleição, admitiu erros da campanha no primeiro turno, apresentou os novos planos para a segunda volta e tratou de dissuadir o pânico de apoiadores diante do que ele julga que será um resultado nas primeiras pesquisas de intenção de voto.
“Amanhã saem as primeiras pesquisas. Não esperem coisa boa. É provável que a diferença seja maior que o resultado do primeiro turno. Não se aterrorizem, vamos construir a vitória a partir de agora”, disse, em evento com petistas em Brasília na tarde desta quarta-feira (7), como registra Levy Teles, do Estadão.
O Datafolha divulgará a primeira pesquisa eleitoral do segundo turno nesta quinta-feira, 8. No dia seguinte, será a vez da AtlasIntel.
Carvalho, que foi chefe do gabinete de Lula nos dois primeiros mandatos, em 2002 e em 2006, falou por cerca de 13 minutos a apoiadores e tratou de trazer uma mensagem aos petistas sobre a mudança de rota no segundo turno.
“Vocês viram que até o Lulinha tá mudando no segundo turno. Largou a gravata, largou o chapéu, está sabendo selfie. Deu trabalho para convencer, mas foi convencido, e assim será o segundo turno”, brincou, logo na abertura do pronunciamento.
Ele fez referência a um vídeo publicado por Lula nas redes sociais nesta quarta-feira, em que, em formato de selfie, convocou apoiadores a participarem intensamente dessas três semanas que compreendem o período do segundo turno. O presidente foi persuadido por diversos petistas a adotar um modelo de comunicação mais direto e acabou aquiescendo apenas nesta semana, ainda que fosse resistente a adotar essa mudança.
Logo depois da descontração, Carvalho mencionou os erros da campanha. “Erramos quando achávamos, e o próprio presidente também achava, que bastava fazer a comparação entre nossos feitos e os maus feitos deles. Passamos grande parte da campanha para fazer o povo se informar daquilo que tínhamos realizado e falamos pouco de futuro. Isso foi mau”, analisou.
Ele afirmou que essa decisão passou a impressão de que a campanha não reconhecia “o sofrimento do povo”. “O povo não está feliz”, reconheceu. O ex-ministro admitiu que o governo errou ao não fazer “a educação financeira do povo”.
“Isso provocou um processo gravíssimo de endividamento, com juros elevadíssimos”, disse. “Quando você chega ao final do mês e teu salário não dá para pagar a conta, não dá como ser um otimista.
Foi essa a deixa que, na visão dele, abriu espaço para que a campanha de Flávio fizesse ataques a Lula que o ajudaram a manter a vantagem de 2,2 milhões de votos contra Lula no primeiro turno.
“Aí vai um aventureiro, vai para o mercado, mostra a picanha, mostra que a caixinha do suco não tem mais um litro, tem 900 g. Mostra os preços e fala que vai mudar. É fácil ceder a essa tentação e acreditar nessa ilusão”, analisou.
Durante a campanha, Flávio gravou um vídeo no supermercado em que diz que o preço dos produtos está mais caro do que no governo de Jair Bolsonaro (PL). “Arroz Tio João, 5 kg, R$ 27,95. Chuva que é de uva”, afirmou Flávio nesse vídeo. Enquanto ele fala isso, um texto aparece afirmando que esse mesmo pacote custaria R$ 16,95 em 2019, no governo do pai de Flávio.
“Por isso é que nós, aos poucos, fomos nos dando conta de que precisávamos mudar a linha de campanha. E o presidente Lula finalmente também se convenceu disso, e já no final do primeiro turno ensaiávamos uma mudança”, disse Carvalho.
Em seguida, o ex-ministro disse aos presentes quais seriam as estratégias da campanha de agora em diante. “O anúncio e a denúncia vão compor a linha política do segundo turno”, afirmou. A ideia é demonstrar a ameaça que Flávio representa aos trabalhadores.
Essa tática servirá sobretudo para falar com indecisos. Carvalho rejeita a possibilidade de dialogar com bolsonaristas “cristalizados” e de “falar com os convertidos”. “‘Você que votou no Flávio, no (Augusto) Cury, nesses caras, olha o que vai acontecer se você persistir nesse equívoco’”, é o que ele sugeriu que petistas falem para esse segmento.
Neste ano, 33 milhões de eleitores não foram votar. “Não vale a pena perder tempo com bolsonarista renhido, cristalizado. Não dá para ficar entre os convertidos, temos que buscar o indeciso, o eleitor pêndulo. Aquele que votou no Cury, mesmo no Renan (Santos), (Ronaldo) Caiado”, disse. Ele também pediu mais diálogo com as igrejas evangélicas e com a Igreja Católica.
Nesse evento em Brasília também falaram ministros do governo – entre eles Márcia Lopes (Mulheres), Fernanda Machiavelli (Desenvolvimento Agrário), Wolney Queiroz (Previdência) e Esther Dweck (Gestão e Inovação).
Nesses pronunciamentos, houve um pedido para que petistas tenham uma conversa compreensiva e escutem os problemas que as pessoas lhes apresentarem. “É conversar olho no olho, com empatia e ir para a rua”, sugeriu Machiavelli. Ela também pediu reforço para que petistas fortaleçam a presença nas redes sociais.
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