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domingo 17 de abril de 2022 às 07:22h

Lula e Alckmin: Frente ampla exige mais que um vice conservador

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O vermelho e o azul

O diretório nacional do PT aprovou com folga a escolha de Geraldo Alckmin como vice de Lula. A votação da última quarta removeu segundo a coluna Bernardo Mello Franco, no O Globo, a última pendência para a união entre os antigos adversários. Falta definir como o ex-tucano vai influir na campanha e no programa de governo.

O petista quer apresentar a chapa como uma frente ampla contra o bolsonarismo. “Não sou só o candidato do PT. Quero ser o candidato de um movimento de recuperação da democracia”, afirmou, em fevereiro.

O problema é que uma frente ampla exige mais que um vice conservador. Lula precisa atrair setores que se desiludiram com Jair Bolsonaro e não acreditam na tal terceira via, mas ainda torcem o nariz para a ideia de votar no PT.

“O campo vermelho da sociedade já está com Lula. Agora temos que abrir conversas com o campo azul”, defende o líder da oposição no Senado, Randolfe Rodrigues.

Convidado a integrar a coordenação da campanha petista, o senador da Rede prega o diálogo com grupos que aderiram ao capitão em 2018. “Alckmin é um símbolo importante, mas não fará a frente ampla sozinho. Temos que furar as bolhas do agronegócio, dos evangélicos, dos empresários. Se não tirarmos votos do Bolsonaro, vamos perder a eleição”, alerta.

Para conquistar apoios no “campo azul”, Randolfe sustenta que Lula não deve apresentar um “programa de esquerda”. “Ele vai precisar de um programa de união nacional”, afirma. Segundo essa lógica, as propostas para a educação não poderiam ser redigidas apenas por intelectuais alinhados ao PT. “Temos que ouvir movimentos como o Todos pela Educação, que tem uma visão mais liberal”, exemplifica.

Na quinta-feira, a dupla Lula-Alckmin fez sua primeira dobradinha no palanque. Em ato com sindicalistas, o petista repetiu promessas para o “campo vermelho”, como rever a reforma trabalhista e retomar a política de valorização real do salário mínimo. Ele ressalvou que não pretende fazer nada “na marra”. “Este país vai voltar a ter um governo que conversa com todo mundo e que busca a solução através da negociação”, discursou.

A aliança com o ex-tucano ajuda a dissipar os temores de que Lula faria um governo radical — algo que nunca ocorreu em seus oito anos no poder. No palanque, o petista sugeriu que Alckmin poderá representá-lo em negociações entre patrões e empregados. É um começo, mas ainda não parece suficiente para justificar sua presença na chapa.

Ninguém deve esperar que o Partido dos Trabalhadores abra mão de representar os interesses do mundo do trabalho. Cabe a Alckmin convencer os novos aliados a também abraçar causas simpáticas ao mundo do capital, como o estímulo à competitividade e à desburocratização.

Outro desafio da chapa é combinar a retórica do candidato com o ideário do vice. No ato de quinta, o petista arrancou aplausos ao ironizar um dogma do discurso liberal. “Toda vez que eles falam em reforma, é para destruir alguma coisa que o trabalhador ganhou”, provocou.

Depois de décadas entre os azuis, o “companheiro Alckmin” pareceu empenhado em agradar os vermelhos. Em tom exaltado, ele abandonou o estilo “picolé de chuchu”, elogiou a luta sindical e bradou que Lula é o “maior líder popular do país”

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