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Rueda, presidente do União, quer partido com protagonismo na próxima eleição — Foto: Brenno Carvalho / Agência O Globo
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quarta-feira 10 de julho de 2024 às 07:45h

‘Estamos com o governo, mas não teremos subserviência’, diz presidente do União Brasil

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Eleito presidente do União Brasil após uma disputa recheada de conflitos, Antônio Rueda defende uma postura de independência em relação ao governo, a despeito dos ministérios ocupados na gestão de Lula da Silva (PT). Em entrevista ao jornal O Globo nesta semana, o dirigente partidário também fez críticas às manifestações do chefe do Executivo contra o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, disse que a pauta econômica preocupa e chamou de “deselegante” a fala de Lula se referindo a ACM Neto, vice-presidente da sigla, como “grampinho”. Rueda também defendeu o ministro Juscelino Filho (Comunicações), indiciado pela Polícia Federal por suposta participação em um esquema de desvio de emendas parlamentares.

Lula disse que Juscelino Filho vai ser afastado se for denunciado pela Procuradoria-Geral da República. O União concorda?

O presidente tem a prerrogativa de fazer o que quiser com os ministérios. Os órgãos de fiscalização têm instrumentos para verificar qualquer denúncia contra agente público. Caso a apuração indique alguma conduta danosa, tem que ser punido. Não pode condenar sem contraditório e defesa.

A fala de Lula gerou incômodo?

A princípio, não.

E se o Planalto pedir a indicação de outro nome?

É um evento futuro. O Juscelino tem um trabalho ilibado no ministério, e eu estou me pautando nisso. Se acontecer (pedido de outro nome), a gente vai tratar do assunto quando se concretizar.

O União Brasil indicou ministros, mas vota contra o governo no Congresso em várias pautas. O que falta para estar mais alinhado?

O União vai ajudar o Brasil onde puder. Se for pauta positiva, estaremos juntos. Mas não vamos ter subserviência. No que for ruim para o país, vamos ser contra o governo.

Onde Lula está errando na articulação com o Congresso?

Não sei se Lula está errando. A direita saiu maior do que a esquerda nas eleições, então há um exercício diário de conversa para imprimir a pauta.

O senhor chegou a falar com Lula desde que ele assumiu?

Não. Tive reuniões com o (Fernando) Haddad. Hoje, excepcionalmente, troco uma ideia com (Alexandre) Padilha, mas muito incipiente. Essa conexão é fina ainda.

O partido quer ampliar a participação no governo?

Se existe sinergia e identidade de ideias, por que não? Eu não tenho indicação no governo nem pretendo ter. Mas a gente tem quatro governadores, 60 deputados federais, mais de 100 deputados estaduais, sete senadores… Tem muito para contribuir.

Como avalia a gestão Lula?

Tem coisas boas e ruins. A pauta econômica me preocupa muito. O Estado tem que ser menor, porque fica mais eficiente. A carga tributária também deve cair, para trazer mais eficiência ao setor produtivo. O governo tem uma visão pouco progressista nesse sentido. Fico preocupado com a mudança do presidente do Banco Central. Como o setor produtivo e os países que investem no Brasil veem o governo? A sinalização não é boa.

O que acha das críticas de Lula a Roberto Campos Neto?

Considero um erro.

Lula chamou ACM Neto, vice do União Brasil, de “grampinho”. Isso prejudica a relação?

O presidente da República precisa de liturgia. Não é usando uma expressão jocosa que você vai se relacionar com o partido A, B ou C. É uma fala deselegante, no mínimo, e falta de respeito. Isso distancia. O presidente não foi feliz na forma como colocou.

O governador de Goiás, Ronaldo Caiado, já se lançou pré-candidato à Presidência e defende uma aliança da direita para derrotar Lula, assim como o senador Sergio Moro. Essa antecipação compromete a relação do partido com o governo?

É legítimo qualquer partido querer alçar o melhor. Tem um cargo máximo, que é a Presidência da República. Eu, enquanto presidente do União, vou fomentar que o partido cresça. Haverá condições de o Caiado liderar em 2026? Não sei ainda, mas se eu puder fertilizar esse solo para ter uma onda de prosperidade política no partido, claro que eu vou querer. Ele (Caiado) tem estatura. Então, sim, a gente considera. Não vou negar.

Apoia a candidatura dele?

Tem um caminho longo. Não é hoje que a gente vai definir candidatura.

Caso a candidatura própria não decole, acha mais provável estar alinhado a Lula ou ao grupo do ex-presidente Jair Bolsonaro em 2026?

Tenho a pretensão de que esse partido tenha protagonismo na próxima eleição. Vou trabalhar para isso.

Está conversando com o PT para alianças na eleição municipal?

Em algumas questões pontuais, falei com a Gleisi (Hoffmann). Não tenho preconceito com nenhum partido, seja de esquerda ou direita. Tenho preconceito com extremo. Vou conversar com a Gleisi, com Valdemar (Costa Neto, presidente do PL) e com quem for necessário.

Em São Paulo, houve incômodo no União Brasil com a indicação do coronel Mello Araújo para vice de Ricardo Nunes. O partido manterá o apoio ao prefeito ?

Não é que tenha havido incômodo. Os partidos não participaram de forma efetiva. Foi uma escolha pessoal do Bolsonaro. Deveria ter acontecido uma discussão mais ampla.

Como estão as conversas sobre fusão ou federação com outros partidos, como o PP?

Paramos qualquer conversa. Estamos focados na eleição municipal. Esse exercício é necessário depois, e as estratégias serão montadas a partir dos resultados.

O União tem candidatos competitivos para comandar a Câmara e o Senado a partir de 2025. Há alguma prioridade?

A prioridade é eleger os dois. A eleição do Davi (Alcolumbre), sem arrogância, está muito bem encaminhada. Elmar (Nascimento) tem uma disputa mais acirrada, porque tem (Antonio) Brito, Isnaldo (Bulhões) e Marcos Pereira. É uma eleição mais combativa.

Como está a relação com o deputado Luciano Bivar, ex-presidente do União?

Não tenho relação. O partido já tomou as decisões que tinham que ser tomadas. Virou a página.

O senhor foi responsável por levar Bolsonaro para o PSL, em 2018. Faria diferente?

Não. Aquele momento era singular no país. Não me arrependo de nada. Quem julga a Presidência é o povo. Bolsonaro teve movimentos políticos e econômicos corretos, e outros movimentos que não são corretos.

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