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terça-feira 12 de outubro de 2021 às 13:14h

CPI da Covid desiste de convocar ministro Queiroga

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O grupo majoritário da CPI da Covid decidiu nesta terça-feira (12) alterar o cronograma para os últimos dias de trabalho da comissão. Senadores anunciaram a desistência de ouvir o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, que seria o último depoente a falar à comissão. A audiência do ministro estava prevista para a próxima segunda-feira (18).

No lugar, a CPI pretende convocar o médico Carlos Carvalho, responsável por coordenar um estudo com parecer contrário ao uso da cloroquina no combate ao coronavírus. O remédio, propagandeado pelo presidente Jair Bolsonaro ao longo de toda a pandemia, é comprovadamente ineficaz para a doença.

A oitiva de Carvalho ainda não foi aprovada. A comissão deve realizar uma sessão extraordinária na próxima sexta-feira (15) para votar o requerimento de convocação do médico.

Senadores também decidiram realizar na próxima segunda-feira (18) uma audiência com entidades que representam familiares de vítimas da Covid. Esse será o último ato da comissão antes da apresentação e da votação do parecer final.

Com a mudança, o cronograma da CPI passa a ser:

Segunda-feira (18)

  • Dr. Carlos Carvalho
  • Parentes de vítimas

Terça-feira (19)

  • Leitura do relatório

Quarta-feira (20)

  • Votação do relatório

Conitec

A decisão de ouvir Carlos Carvalho foi tomada após a Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias (Conitec) retirar de pauta, na semana passada, a análise do estudo que desaconselha o uso do chamado “Kit Covid”, composto também por remédios como a ivermectina e a azitromicina, todos ineficazes.

A Conitec, um órgão consultivo do Ministério da Saúde, tem entre suas atribuições a incorporação e a exclusão de novos medicamentos em protocolos do Sistema Único de Saúde (SUS).

Senadores que integram a CPI viram o adiamento como uma manobra determinada pelo presidente Jair Bolsonaro. A intenção da comissão, como mostrou o blog da Ana Flor, é não encerrar os trabalhos sem que haja um posicionamento científico que desaconselhe o uso da medicação pelo SUS.

Sobre a retirada do estudo da pauta da Conitec, o Ministério da Saúde informou que a solicitação teria sido feita pelos próprios autores da análise, diante do surgimento de novas informações sobre outros medicamentos que estariam sendo defendidos.

A retirada teria como motivo, segundo o ministério, atualizar o estudo antes que ele fosse analisado pela Conitec.

O que diz o estudo

O estudo da Conitec, chamado Diretrizes Brasileiras para Tratamento Medicamentoso Ambulatorial do Paciente com Covid-19, tem 126 páginas e considerou dados de diferentes órgãos nacionais e internacionais, como a Organização Mundial da Saúde (OMS), a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) e a Associação Médica Brasileira (AMB). Também são consideradas diretrizes australianas e alemãs.

O parecer diz que há “incertezas” sobre o benefício de remédios como ivermectina e nitazoxanida, “não sendo atualmente indicados no tratamento ambulatorial da Covid-19”.

Por sua vez, diz o relatório, “azitromicina e hidroxicloroquina não mostraram benefício clínico e, portanto, não devem ser utilizados no tratamento ambulatorial de pacientes com suspeita ou diagnóstico de Covid”.

O documento também sugere a não utilização de anticoagulantes em pacientes com suspeita ou diagnóstico de Covid, por considerar que “não há benefício demonstrado com o uso de anticoagulantes em pacientes com Covid.

“Adicionalmente, a anticoagulação está associada a aumento do risco de eventos hemorrágicos. Isso pode ser ainda mais desafiador no contexto ambulatorial, no qual por vezes não é factível um acompanhamento mais próximo para minimizar riscos da anticoagulação”, registra o parecer.

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