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terça-feira 18 de junho de 2024 às 17:58h

BNDES reúne experiências nacionais e internacionais na reconstrução de cidades

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O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) promoveu, nesta terça-feira (18), o debate “Reconstrução de cidades e mudança climática: experiências internacionais e nacionais para o Rio Grande do Sul e o Brasil”. O presidente da instituição, Aloizio Mercadante, destacou a importância da agenda verde.

“Quando a gente olha para trás e projeta mais 72 anos, esse tema vai estar presente no futuro do BNDES e vai ter um papel cada vez mais relevante. É quanto mais compromisso com uma agenda verde, com a sustentabilidade, com a descarbonização, menos recurso, vamos ter que despender para enfrentar as tragédias dos desastres naturais. Então, parabenizo todos os servidores do Banco, a escolha desse tema foi deliberada, para a gente pensar o futuro.”

Mercadante também ressaltou que os alertas climáticos não vêm de hoje: “O escritório da ONU para redução dos riscos dos desastres naturais, a Organização Meteorológica Mundial, faz alguns alertas bem importantes. Quando a gente olha uma trajetória de 50 anos, os desastres naturais foram responsáveis por 50% das mortes, e esse número vem crescendo. 75% de todas as perdas econômicas do planeta hoje são decorrentes dos desastres naturais. Isso representa US$ 383 milhões por dia e o passivo acumulado das perdas é de US 3.470 trilhões”, apontou.

Em cenários como os enfrentados no Rio Grande do Sul, os bancos públicos serão cada vez mais convocados a construir soluções, disse Mercadante, ao pontuar a importância do protagonismo brasileiro na agenda de mudança climática. Segundo ele. o Brasil tem de liderar a meta que ajudou a construir na COP15, que era 1,5 grau centígrado, desde a era pré-industrial até 2025.

“Temos que ter uma liderança, uma ambição nessa agenda climática, precisamos estar na frente. Somos um país que é o terceiro maior produtor de alimentos, segundo maior exportador. Temos um papel decisivo na tarefa de enfrentar a insegurança alimentar do planeta. Precisamos olhar isso com muita atenção, essa agenda tão desafiadora”, observou.

“O BNDES está saindo com o Fundo Clima, queremos colocar R$ 1 bilhão em plantio de árvores, já colocamos R$ 500 milhões, o primeiro edital já foi feito. É uma forma de sequestrar carbono. Muita coisa que a gente está fazendo é para reduzir carbono. Vamos conseguir proteger a Amazônia e estamos fazendo isso em outros biomas, o BNDES está muito dedicado a essa agenda de proteção da floresta”, afirmou o presidente do banco de desenvolvimento.

Em relação à tragédia climática no Rio Grande do Sul, Aloizio Mercadante citou as ações que o Banco vem desenvolvendo: “Nossa primeira preocupação foi criar o posto avançado, muita gente se inscreveu, vamos ficar lá para ajudar a agilizar as soluções. Suspendemos todos os pagamentos de financiamento para todas as empresas do Rio Grande do Sul, o impacto potencial é da ordem de R$ 7 bilhões. É um esforço grande”, disse.

Ele destaca que o presidente Lula lançou uma linha de crédito, o BNDES Emergencial, de R$ 15 milhões, com taxa de até 0,6% ao mês para investimento. “Esses recursos são para reconstruir as 95 cidades em estado de calamidade. Também estamos com o nosso Programa Emergencial de Acesso a Crédito Solidário – FGI PEAC, o que nos permite alavancar o crédito. Temos que manter essa chama da solidariedade acesa. O presidente Lula tem dado prioridade a isso, parabéns ao povo brasileiro. A luta continua, e o BNDES vai estar ao lado.”

O governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite cancelou a presença no debate, em função de novas chuvas na cidade de Caxias do Sul, mas, em vídeo, agradeceu o apoio do BNDES: “Estamos aqui com risco de novos deslizamentos.

“O que temos vivenciado no Rio Grande do Sul, potencialmente, deverá ser o maior desastre climático do Brasil, em termos de extensão territorial e, também, no impacto econômico, desde a pecuária, agricultura, estradas bloqueadas, aeroporto fechado, todo esse impacto exige um enorme esforço para atender todas essas frentes. habitação, tema que afeta a todos, tudo isso custa muitos recursos”, alertou o governador.

“A resiliência é uma palavra tão usada nesse momento e precisa ser algo efetivo. Estamos encaminhando uma parceria estratégica com o BNDES para poder levantar os estudos e projetos para desenvolver desde o sistema de proteção muito importante. A reconstrução vai levar anos e isso significa passar por governos. E o BNDES é um instrumento do estado brasileiro que perpassa as políticas de governo e se torna fundamental”, declarou Leite.

Renato Casagrande, governador do Espírito Santo e presidente do Consórcio Verde Brasil, também se pronunciou. Entre outros temas, comentou sobre a mobilização para que cada estado tenha seu programa de mudanças climáticas.

Cidades-esponja

Na segunda parte do seminário, o BNDES recebeu dois convidados internacionais: Kongjian Yu, arquiteto e paisagista da Universidade de Pequim, pioneiro do conceito de cidades-esponja, ganhador do Prêmio Oberlander 2023, e Emma Torres, vice-presidente da área de América Latina do UN SDSN e co-presidente da SDSN Amazônia.

“Fiquei emocionado com sua visão, presidente Mercadante, estou muito orgulhoso de estar aqui. Por 17 anos vivi numa pequena aldeia, em uma área afetada por monções, que sempre inundava após as chuvas de verão e causava perda de parte da agricultura. O Brasil é uma esperança, o investimento na agricultura é maravilhoso”, disse Yu.

O método defendido pelo chinês consiste em planejar uma cidade para que consiga lidar com o excedente das águas, ao filtrar o excesso. As monções são ventos sazonais que alteram sua direção de costume, direcionando para uma localidade específica e que é afetada com chuvas intensas. Com isso, Yu resolveu utilizar a vegetação para amenizar o problema. Em sua apresentação, o convidado deu alguns exemplos de cidades-esponja, como Jinhua e Taizhou, em seu país natal.

Emma Torres, por sua vez, destacou a importância do investimento em cidades sustentáveis, inclusive na Amazônia: “A biodiversidade da Amazônia precisa ser um exemplo, que poderá ser seguido por várias outras regiões litorâneas com florestas. É muito importante a restauração da natureza como elemento central do desenvolvimento de uma cidade”.

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