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domingo 19 de dezembro de 2021 às 15:25h

Biden não quer “repetir erros” de Obama em relação a Putin e Ucrânia, dizem oficiais

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Quando a Inteligência dos Estados Unidos captou no outono, pela primeira vez, sinais de que a Rússia poderia estar preparando um novo ataque à Ucrânia, o presidente Joe Biden orientou seu governo a agir – e rapidamente.

Ciente dos erros cometidos em 2014, quando os EUA e a Europa foram apanhados desprevenidos pela anexação da Crimeia pela Rússia, Biden instruiu sua equipe de segurança nacional a usar todas as ferramentas possíveis para tentar deter o presidente russo Vladimir Putin enquanto uma possível invasão ainda era avaliada como estando a vários meses de distância, disse um alto funcionário do governo disse ao canal CNN.

“O que temos feito é muito calculado”, disse o funcionário. “Mas temos apenas uma janela de quatro semanas a partir de agora” para conseguir isso, acrescentou.

A resposta começou com uma intensa atividade diplomática no início do outono, incluindo uma viagem a Moscou do diretor da CIA, Bill Burns, para alertar Putin contra sua jogada.

Porém, como as tropas russas continuaram a se reunir perto da fronteira da Ucrânia, a diplomacia silenciosa rapidamente evoluiu para uma forte advertência pública a Putin para que recuasse ou enfrentasse duras sanções e aumento da assistência militar dos EUA à Ucrânia.

Os principais funcionários de Biden estão agora enfatizando que as consequências iriam além de qualquer coisa que a Rússia enfrentou depois que suas terras foram conquistadas em 2014.

“As sanções que impusemos à Rússia em 2014 tinham em grande parte o objetivo de inibir o desenvolvimento a médio e longo prazo de empresas estatais russas específicas, restringindo seu acesso aos mercados de capital e tecnologia dos EUA”, disse um funcionário da Casa Branca.

Em contraste, as opções em cima da mesa agora “seriam esmagadoras, imediatas e infligiriam custos significativos à economia russa e ao seu sistema financeiro”.

A comunidade de inteligência ficou sob fogo em 2014, quando Biden era vice-presidente, por causa do que alguns legisladores disseram ser um fracasso em prever a incursão da Rússia na Crimeia até que fosse tarde demais.

Depois desse ataque, a pressão de Biden para armar a Ucrânia e impor sanções extremamente severas à Rússia foi em grande parte anulada pelo presidente Barack Obama. Agora no comando, Biden quis fazer as coisas de maneira diferente na Rússia

“Este governo tem sido muito mais proativo, e agora existe um senso mais realista de que Putin é capaz de absorver muita dor num esforço para impor custos aos EUA e nossos aliados”, disse o deputado democrata Tom Malinowski, que serviu como o mais alto funcionário de direitos humanos do Departamento de Estado de abril de 2014 a janeiro de 2017.

Isso resultou em um compartilhamento de informações muito mais robusto com a Ucrânia sobre o planejamento da Rússia do que qualquer coisa que tenha ocorrido em 2014, disseram fontes familiarizadas com o processo – em parte porque o governo ucraniano é “um parceiro mais confiável” agora do que era então, afirmou um ex-funcionário sênior da OTAN, e em parte porque Biden acredita firmemente que a Ucrânia não pode ser deixada de fora de quaisquer discussões que digam respeito ao seu futuro.

O governo também compartilhou com a OTAN, G7 e aliados europeus, logo no início, informações detalhadas sobre os movimentos da Rússia, disseram os diplomatas europeus à CNN.

“Eu não vi este mesmo nível de coordenação no início de 2014”, disse o ex-oficial sênior da OTAN, que se aposentou em setembro de 2021.

“Este governo tem sido muito mais multilateral em sua abordagem – isso é novo, e é o resultado de alavancar muito trabalho positivo que tem sido feito em meio à pandemia de Covid-19 para aumentar a coesão política e a troca de informações entre os parceiros”.

Entretanto, Malinowski e outros funcionários observaram que a situação agora é diferente de 2014, de forma importante.

“O que Putin está preparando aqui requer a tomada de ações que são muito mais visíveis do que o que vimos em 2014”, disse Malinowski.

“As forças que ele está acumulando são exatamente as forças que você acumularia se estivesse se preparando para uma invasão total da terra do país, o que não é o que aconteceu em 2014 com os soldados russos”.

O exército russo também está “em um lugar muito diferente em termos de capacidade, estrutura de força e postura em relação a 2014-2015”, disse Michael Kofman, diretor do programa de pesquisa do Programa de Estudos da Rússia do CNA. E os EUA têm uma compreensão muito melhor disso, disse o ex-oficial sênior da OTAN.

“Temos maior capacidade de inteligência, maior postura na base oriental, melhor imagem de satélite, mais coesão política”, disse ele. “Tudo isso permitiu que os EUA e seus aliados estivessem muito melhor avisados do que em 2014”.

Ainda assim, funcionários atuais e ex-funcionários disseram à CNN que veem alguns erros semelhantes sendo cometidos – e sinais semelhantes da Rússia de que não está levando a sério as ameaças dos EUA.

“Estou definitivamente vendo coisas que estão melhores em termos de levar a ameaça a sério e trabalhar muito de perto com nossos aliados, o que eu acho essencial”, disse o tenente-general Ben Hodges, que serviu como general comandante do Exército dos Estados Unidos na Europa de novembro de 2014 a dezembro de 2017.

“Porém, ainda há muitas mensagens mistas saindo da Casa Branca e alguns erros não forçados com os quais o Kremlin deve estar bastante satisfeito”, disse Hodges, incluindo a revelação de Biden, no início deste mês, de que o envio de tropas americanas para a Ucrânia não está discutindo.

“Concordo que este não é o momento para a ação militar dos EUA”, disse ele. “Mas por que anunciar isso? Foi basicamente uma concessão enquanto o Kremlin só aumentou suas exigências”.

O comentário de Biden também reforçou a crença da Rússia de que, especialmente após a retirada do Afeganistão, os EUA não vão querer ficar atolados em outra guerra no exterior.

O Conselho de Segurança Nacional está igualmente desconfiado de enviar certos tipos de equipamentos e armas para a Ucrânia que poderiam ser vistos pela Rússia como provocadores, como sistemas de defesa aérea, num momento em que os EUA e seus aliados estão tentando fazer com que Moscou diminua a escalada.

Obama se recusou a fornecer ajuda letal à Ucrânia, também receoso de provocar ainda mais a Rússia. No entanto, essa contenção não fez nada para deter os contínuos ataques dos separatistas apoiados pela Rússia na Ucrânia oriental ou para fazer com que a Rússia abandonasse a Crimeia.

“A maior coisa que provoca os russos”, disse Hodges, “é quando parecemos fracos e desarticulados”.

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