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quarta-feira 8 de dezembro de 2021 às 08:52h

Após euforia de recuperação, economia mundial teme nova desaceleração

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Depois do cataclismo econômico de 2020, a recuperação da economia mundial tem sido vigorosa, mas a escassez de produtos essenciais, a inflação e a situação sanitária provocada pela covid trazem à tona segundo a AFP, os temores de uma desaceleração em 2022.

– Uma recuperação em várias velocidades –

Da China aos Estados Unidos, da Europa à África, a pandemia paralisou as economias do mundo de maneira quase simultânea em março de 2020.

Dois anos e 5 milhões de mortes depois, a recuperação acontece de forma mais dispersa.

Os países ricos se beneficiaram do acesso privilegiado às vacinas: os Estados Unidos já deixaram para trás as marcas de sua pior recessão desde a Grande Depressão dos anos 1930 e a zona do euro poderia fazer o mesmo no fim deste ano. Contudo, o rápido aumento de uma nova onda epidêmica e a descoberta de uma nova variante acendem o sinal de alerta.

“A covid-19 continuará sendo uma ameaça”, adverte a agência de classificação de risco Moody’s em comunicado.

E essa ameaça já está se materializando em regiões com baixos índices de vacinação, como a África Subsaariana, onde apenas 2,5% da população estava vacinada em outubro e que, segundo o Fundo Monetário Internacional (FMI), está condenada a uma recuperação econômica mais lenta.

Até 2024, é provável que a maioria dos países emergentes e em desenvolvimento não consiga alcançar as previsões de crescimento feitas antes da pandemia, de acordo com o FMI.

Muitos bancos centrais – como os de Brasil, Rússia e Coreia do Sul – aumentaram as taxas básicas de juros para tentar evitar uma inflação galopante, o que poderia atrapalhar a recuperação.

Inclusive na China, a locomotiva do crescimento mundial, a recuperação está desacelerando na medida em que se acumulam os riscos, advertiu recentemente o FMI.

Na potência asiática, o consumo luta por voltar aos níveis anteriores à pandemia, há temores pelas dificuldades da incorporadora Evergrande e os cortes de eletricidade prejudicam a atividade empresarial.

– Inflação e escassez –

“A maior surpresa de 2021 foi o aumento da inflação”, escrevem os analistas do Goldman Sachs em suas previsões para 2022.

O aumento dos preços foi impulsionado pela desorganização das cadeias de suprimentos e pela escassez de produtos essenciais para o comércio internacional, como os semicondutores, uma consequência da explosão da demanda durante e depois da crise.

Mas, também, pelo desânimo de muitos atores do comércio mundial, como estivadores nos portos, motoristas de caminhão e caixas de supermercados que não voltaram ao trabalho após os confinamentos e provocaram escassez de mão de obra.

A inflação também se explica pelo aumento do preço das matérias-primas (madeira, cobre, aço) e da energia (gasolina, gás, eletricidade).

O aumento nos preços, considerado “temporário” pelos bancos centrais, preocupa as lideranças políticas, inclusive o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, que assinalou em novembro que é “uma prioridade absoluta” inverter essa tendência.

“A questão é se realmente saímos da crise”, disse à AFP Roel Beetsma, professor de economia da Universidade de Amsterdã.

Por ora, o FMI continua esperando um crescimento mundial de 4,9% para o próximo ano.

– A questão climática –

O equilíbrio entre crescimento econômico e clima está cada vez mais longe de ser alcançado, como mostraram as conclusões da COP26.

O acordo alcançado na conferência pede aos Estados que aumentem seus compromissos de redução das emissões de gases do efeito estufa a partir de 2022, mas não coloca o planeta no caminho para limitar o aquecimento a “bem abaixo” de 2 °C, como se estabeleceu no Acordo de Paris em 2015.

“Pensar no curto prazo é um fenômeno comum, especialmente entre os políticos”, lamenta Roel Beetsma, que defende um imposto sobre o carbono que seja uniforme em todas as indústrias e com poder suficiente de dissuasão, o que está longe de ser o caso na atualidade.

A mudança climática e as catástrofes naturais associadas também poderiam afetar o custo dos alimentos.

Os preços mundiais já estão perto do recorde de 2011, segundo a Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO).

O trigo subiu quase 40% em um ano, os produtos lácteos 15% e os óleos vegetais estão batendo recordes.

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